Um assunto que esteve em pauta esta semana foi a anestesia na hora do parto, fazer ou não fazer? Quem me conhece sabe que eu defendo o parto normal com todas as forças. Cesárea não é uma opção, exceto no caso em que haja sofrimento por parte do bebê. Mas uma coisa que eu me perguntava é: por que muitas mulheres optam por não receber anestesia? Por que elas fazem questão de sentir a dor do parto?
Bom, uma das coisas que descobri é que, com a anestesia, a mãe não sente o bebê saindo dela, ela perde essa conexão entre ela e o bebê. Só sabe que o bebê saiu porque ela vê o bebê e o colocam no colo dela. O primeiro contato é visual e não sensorial. Conversei com uma amiga, e mãe, que teve sua filha por parto normal, sem anestesia alguma, e ela confirmou isso. Ela relata que sentiu com perfeição o momento em que saiu a cabeça, depois os ombros, o quadril e depois as pernas do bebê dela. Isso no psicológico da mãe deve ter um efeito muito mais intenso do que dar à luz sem sentir dor alguma, e sem sentir também o bebê. A conexão deve ser muito mais forte, a sensação de que "saiu de mim" também deve ser muito mais forte, a conscientização de que aquele ser que se mexia tão intensamente dentro de mim, agora está fora de mim, deve ser muito mais concreta essa conscientização e imagino que deve, também, evitar a depressão pós-parto. Parece besteira, mas o psicológico mexe muito com a gente.
Confesso, antes de fazer as pesquisas e de conversar com outras mães, eu era contra sentir dor. Eu não conseguia entender como que uma mulher poderia preferir sentir dor em um mundo onde existe a anestesia local, a peridural, a raquidiana, para ter o bebê por parto normal sem sentir dor. Mas eu acho que agora eu captei a intenção delas. Não só captei, como também quero que o parto da minha filha seja assim. Não que eu seja a favor de fazer o parto dentro de uma banheira, aquela coisa de parto na água, pois eu ainda acho isso perigoso. Mas com ou sem dor é uma opção totalmente minha e isso não vai afetar a saúde do bebê. Caso o bebê esteja correndo risco e seja necessário fazer uma cesárea, vou considerar uma fatalidade. Mas, no que depender de mim, vai ser normal e sem anestesia. E, além disso, há um fator ao meu favor: quadris largos. A vida inteira eu ouvi que isso facilita na hora do parto. Bem, vou ver na prática se isso é verdade.

Fora as desvantagens de uma cesariana, outro fator contra é que virou uma "máfia" no Brasil entre os hospitais particulares. No Brasil, há uma epidemia de cesarianas sem necessidade (
http://veja.abril.com.br/noticia/saude/o-parto-normal-em-extincao-no-brasil). É mais cômodo para o médico, que vai ao hospital, faz a cesárea e volta para o consultório sem perder muito tempo, é mais vantajoso para o hospital, pois a cesariana é um processo cirúrgico e exige mais custos do convênio. Sem contar que o agendamento da cesariana incorre o risco de o bebê nascer antes do tempo em que ele precisa ficar no útero. O útero é a UTI do bebê. Tirá-lo antes do tempo é uma agressão física. As contrações são necessárias para o próprio bebê ir se preparando para a saída. Assim como para o corpo da mãe ir se preparando para o parto. Com o parto normal, a recuperação é mais rápida, o aleitamento é mais rápido, pois o corpo estava preparado para isso. A cesárea é uma interrupção, é algo não natural, prematuro.
A cesárea é uma necessidade? É, quando a vida do bebê ou da mãe está em risco. Sou contra à cesariana sem necessidade, quando a mãe tem "medo" da dor ou quando ela prefere "pular" a etapa do nascimento para ter logo o filho nos braços. Sou contra também quando o médico opta por cesariana por motivos pessoais, deixando a gestante sem opção. É por isso que a obstetra que fez meu pré-natal NÃO vai fazer o meu parto. Vou à maternidade só quando a bolsa estourar e terei meu bebê por parto normal com o plantonista disponível. Ah, e NÃO vai ser no Santa Joana, né? Pelo amor de Deus! Rs.